 |
VALORIZANDO A TEMÁTICA DA DOR NA PRÁTICA
DO COTIDIANO DE GRADUANDOS DE ENFERMAGEM
Ana Dulce Azevedo Santana1
Alvacy Rita Moraes e Leite
Claudia Feio da Maia Lima
Maria Thais Andrade Calazans
Rosângela Souza Oliveira
professores da área se saúde, da Faculdade de Ciência
e Tecnologia(http://www.ftc.br) de Salvador
RESUMO
Introdução:A dor é a circunstância mais
comum que leva os indivíduos a procurarem os serviços
de saúde, o enfermeiro é o profissional que encontra-se
mais próximo ao paciente, convivendo com a dor no seu cotidiano.
Neste sentido, o estudo da dor é de grande relevância
nos cursos de graduação de enfermagem, na experiência
acadêmica das autoras, foi observada a falta de estímulo
a uma reflexão do graduando de enfermagem sobre a importância
do estudo da dor na vida profissional. Objetivo: Descrever a estratégia
de ensino sobre dor utilizada pelos docentes da disciplina Enfermagem
Fundamental I do 3.º semestre do Curso de Graduação
de Enfermagem da Faculdade de Tecnologia e Ciências. Metodologia:
Para elaboração deste estudo foi utilizada uma abordagem
qualitativa com referencial teórico do construtivismo por
se adequar melhor aos objetivos propostos. Os sujeitos da pesquisa
foram os graduandos 3.º semestre do Curso de Graduação
de Enfermagem. Local: Faculdade de Tecnologia e Ciências.
Análise e Resultados: A análise de Conteúdo
de Bardin possibilitou a formulação de três
categorias temáticas: Presença constante de dor; Subjetividade
da dor e Atuação do enfermeiro da presença
de dor.Considerações Finais: os alunos conseguiram
detectar que a dor está presente no cotidiano das pessoas,
que existem diversos tipos de dor, diferentes fatores que a interferem
e, para tanto, necessário se faz, diferentes abordagens.A
abordagem construtivista possibilitou ao aluno conhecer a dor à
medida que houve aproximação com a realidade mediante
contato com as pessoas que expressavam a sensação
dolorosa.
Palavras-chave: Educação – Dor- Enfermagem.
INTRODUÇÃO
De acordo com a Internacional Association for the Study of Pain
(IASP), a dor é uma sensação ou experiência
emocional desagradável, associada a dano real ou potencial,
ou descrito nos termos de tal dano ( BRASIL, 2002, p.15).
A dor acomete um grande número de pessoas sendo uma das circunstâncias
mais comuns que levam estas a procurarem instituições
de assistência à saúde.
O enfermeiro, profissional que se encontra mais próximo do
paciente, é quem presencia, avalia e articula as condutas
a fim de proporcionar uma analgesia eficaz. O ponto central de um
planejamento de enfermagem para o alívio da dor é
desenvolver uma relação terapêutica com o paciente
e orientá-lo a respeito da dor.
Existem dois tipos de dor: a dor aguda e a crônica, a primeira
é descrita como uma dor de curta duração desde
alguns segundos até semanas, possui início súbito
quase sempre está relacionada a alguma lesão, cessa
em conjunto com a cura. A segunda é descrita como uma dor
que dura meses, anos ou a vida toda, é constante e intermitente,
tem uma duração além do tempo de cura e sua
origem é desconhecida.
A dor está presente no cotidiano do enfermeiro e ele deve
estar preparado para isso. Neste sentido, a necessidade de prover
alívio da dor, do estresse e do desconforto aos pacientes
faz parte da assistência de enfermagem. Timby ( 2000 ) relata
que como não existe um método eficiente para validar
ou invalidar a dor deve-se seguir a definição preconizada
por Mccaffery ( 1972 apud ATKINSON, MURRAY 1989 p.476): “
tudo o que a pessoa que sofre diz ser dor, e existe sempre que a
pessoa diz que existe”.
Entretanto, para Timby ( 2000 p.366): compreender a maneira como
a dor é produzida e percebida é fundamental para que
sejam encontradas mecanismos para seu alívio.
Na experiência acadêmica das autoras foi observado que
apesar de em quase todas as disciplinas dos Cursos de Enfermagem
os graduandos se deparem com pacientes com dor, tal tema é
pouco abordado e não há estímulo a uma reflexão
do aluno sobre a sua relevância na vida profissional.
Segundo Brasil (2002) o adequado preparo dos enfermeiros é
estratégica fundamental para o controle da dor e seus sintomas.
Neste sentido o presente trabalho tem como objetivo geral descrever
a estratégia de ensino sobre dor utilizada pelos docentes
da disciplina Enfermagem Fundamental I do 3.º semestre do curso
de Graduação de Enfermagem da Faculdade de Tecnologia
e Ciências e como objetivos específicos promover nos
graduandos de enfermagem a compreensão da subjetividade da
dor, a importância do alívio da dor como uma necessidade
humana básica e identificar a presença da dor no cotidiano
das pessoas.
METODOLOGIA
Para elaboração deste estudo foi utilizada uma abordagem
qualitativa com referencial teórico do construtivismo por
se adequar melhor aos objetivos propostos. A concepção
construtivista consiste em um referencial explicativo que partindo
da consideração sociologista da educação,
integra contribuições diversas cujo denominador comum
e construído por um acordo em torno dos princípios
construtivistas ( MARCELINO; SCHUMACHER; SOUZA, 1999, p.94).
Ainda segundo os autores, nesta concepção, de construção
do conhecimento são efetuados interações ou
trocas entre sujeito (aquele que conhece) e objeto (sua fonte de
conhecimento) em uma tentativa de superar as concepções
reducionistas sustentadas pelo empirismo e pela pré-formação
de estruturas.
Becker (1992 apud MARCELINO; SCHUMACHER; SOUZA, 1999, p.95): conceitua
construtivismo como uma idéia, ou melhor uma teoria, um modo
de ser do conhecimento ou um movimento do pensamento que emerge
do avanço da ciências e da filosofia do últimos
séculos. Uma teoria que nos permite interpretar o mundo em
que vivemos.
Para desenvolver esse estudo estabelecemos as seguintes estratégias:
no primeiro momento aula expositiva, participativa com 4 horas,
abordando definição da dor, classificação,
neurofisiologia, tratamento farmacológicos e não farmacológicos
e atuação da enfermeira na assistência ao paciente
com dor, no segundo momento, a realização de pesquisa
de campo pelos estudantes.
Optou-se por esse tipo de pesquisa, pois esta abordagem torna possível
a obtenção de novos conhecimentos. Os alunos desenvolveram
a pesquisa com usuários do campus da faculdade de Tecnologia
e Ciências, localizado na cidade de Salvador, no período
de abril a maio de 2004.
Os dados foram coletados através da técnica da entrevista
semi-estruturada e como instrumento o formulário que continha
duas partes: a primeira parte sobre a identificação
do entrevistado e na segunda parte: questões relativas a
dor. Após a coleta de dados os alunos expuseram as conclusões
sobre a experiência da aproximação com pessoas
que sentem dor.
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A análise de conteúdo de Bardin possibilitou a formulação
de três categorias temáticas: Presença constante
de dor; Subjetividade da dor e Atuação do enfermeiro
da presença de dor.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os objetivos do estudo foram alcançados, os alunos conseguiram
detectar que a dor está presente no cotidiano das pessoas,
que existem diversos tipos de dor, diferentes fatores que a interferem
e, para tanto, necessário se faz, diferentes abordagens.
Entendemos que a abordagem construtivista possibilitou ao aluno
conhecer a dor à medida que houve aproximação
com a realidade mediante contato com as pessoas que expressavam
a sensação dolorosa.
Diante do exposto, a aprendizagem contribui para o desenvolvimento,
na medida em que aprender não é copiar a realidade.
Aprendemos quando somos capazes de elaborar uma representação
pessoal sobre um objeto da realidade ou um conteúdo que se
pretende aprender. Para ( MARCELINO; SCHUMACHER; SOUZA, 1999, p.94)
não se trata de uma aproximação, a partir do
nada, mas sim partir das experiências, interesses e conhecimentos
prévios que presumivelmente possam conta da realidade.
REFERÊNCIAS
ATKINSON, Leslie; MURRAY, Mary Ellen. Fundamentos de Enfermagem:
Introdução ao processo de enfermagem. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 1989.
BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Tradução
de Luis Antero Reto.. Lisboa: Edições 70, 1977. 226p.
BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do
Câncer. Cuidados Paliativos Oncológicos: Controle da
dor. Rio de Janeiro: INCA, 2001. 124p.
MARCELINO, Silvana; SCHUMACHER, Beatriz; SOUZA, Lucia Nazareth Amante
de. Avaliação em uma perspectiva construtivista: aproximações
com o desempenho profissional da enfermagem. Texto e Contexto Enferm.,
Florianópolis, v. 8, n.1, p.149-165, jan./abr. 1999.
MINAYO, Maria Cecília de S. et al. Pesquisa Social: Teoria,
método e criatividade. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 1997.
|
 |