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CONTRIBUIÇÃO PARA OS DEBATES DE CONSTRUÇÃO
DA MARCHA ZUMBI +10
Rosália Diogo
Educadora Municipal. Membro do grupo de educadoras(es) da FCRCN
e do Conselho Municipal de Educação.
rosalia.estelitadiogo@ig.com.br
"Estamos apostando hoje na possibilidade de disputar não
mais um espaço dentro de outros projetos para as nossas questões,
que são tidas como menores. Mas nós estamos apostando
na possibilidade de que, através de nossas questões,
nós consigamos efetivamente tocar, e tocar muito fundo, nas
questões que dizem respeito à sociedade como um todo".
Luíza Bairros
Segundo o censo de 2000 e o PNAD – 1999, nós, as mulheres
negras e pardas somos 36 milhões e 300 mil, o que significa
23% da população geral do Brasil. Somos 44% da população
feminina, 27% da população rural, 22% da população
urbana. Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada-
Ipea mostra que as mulheres negras é o grupo mais discriminado
entre os trabalhadores brasileiros. Evidencia ainda que, com a hipótese
do fim da discriminação salarial para as mulheres,
nós teríamos ganhos de até 55% menos, de chegar
ao nível dos rendimentos recebidos pelos homens brancos com
a mesma idade e nível de escolaridade. Nessa escala de prejuízo
salarial motivado pelo sexo/cor dos(as) trabalhadores(as), depois
das mulheres negras vêm as brancas, seguidas pelos homens
negros. A diferença salarial delas é de 35%, e deles
é de 22%.
Dos 94.579 óbitos femininos ocorridos no Estado de São
Paulo em 1999, 64.512 mil mulheres eram brancas (481 por 100 mil
mulheres brancas), 4.085 pretas (517 por 100 mil mulheres pretas),
e, nesses óbitos, num total de 13.827, a raça/cor
foi ignorada. A mortalidade das mulheres pretas é 1,07 vezes
maior que a das brancas. Patologias como a hipertensão e
a miomitose não são estudadas devidamente como herança
genética da populaçõa afro-brasileira, o que
tem levado a morte cada vez maior de mulheres negras.
Está claro que a presença de diversas culturas, variadas
formas de ser e de expressão, vigentes na sociedade brasileira
traduzem possibilidades diferenciadas de exercício de poderes
– e isto é comprovadamente o caso das mulheres negras.
Portanto, nós temos que apresentar possibilidades efetivas
para a desconstrução dessa realidade racista/machista
brasileira, se desejamos de fato as transformações
necessárias.
Penso que as urgentes medidas necessárias para a inclusão
e promoção da igualdade racial no Brasil somente se
darão com a superação do modelo econômico
vigente que pouco tem sido ainda muito acanhado nas ações
sociais, na medida em que ainda se encontra preso aos modelos conservadores.
Mas a nós negras e negros não cabe o acanhamento.
Temos urgência, temos propostas e temos crítica para
contribuir com a consolidação de um Brasil de fato
inclusivo.
Sendo assim, proponho que em todos os encontros preparatórios
para a marcha Zumbi Mais + não sejamos de novo a minoria
coordenando, como em 1995. Para tanto, em nossos fóruns as
representações devem ser observadas para que haja
um equilíbrio ( não defendo a inversão, pois
seria contraditório, se bem que as diferenças são
grandes).
Proponho que em nossos relatórios conste a reivindicação
de que os partidos políticos que coadunam com as proposições
de entidades envolvidas e com o movimento negro definam em seu interior
bancara candidaturas de mulheres negras ao parlamento, e para tanto,
fazer a construção de quadros, onde não houver.
Proponho que esses mesmos grupos revejam a relação
de mulheres negras em posição de mando, tais como
secretarias, coordenações, gerencias, etc
Proponho que tenha na SEEPIR, um grupo de trabalho responsável
pelo levantamento da situação atual da mulher negra
no mercado de trabalho, na educação formal e na saúde.
Tal levantamento terá como objetivo final, proposições
para reverter o quadro de desvantagens.
Proponho ainda que todas a entidades, partidos sensíveis
á causa e o movimento negro promova debates sobre a questão
gênero/raça.
Para mim está evidente que os nossos companheiros na maior
parte dos casos ainda se comportam como o homem branco(machismo),
não compartilhando com as companheiras iguais direitos para
construção libertária e inclusiva.
Essa é uma pequena contribuição que busca adesões
para robustecê-la e dialogar.
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