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CREARMUNDOS Você poderia explicar aos nossos leitores em que
consiste sua atividade atual?
Walter Kohan Vou mencionar só a atividade principal, ligada
ao título desta entrevista. Vou responder esta primeira pergunta
em português e as próximas em castelhano, de acordo?
Walter Kohan: Sou professor titular de filosofia
da educação na Faculdade de Educação
da Universidade de Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Brasil. Como
parte deste trabalho, dou aulas no curso de pedagogia e no programa
de mestrado e doutorado em educação. Meu trabalho
na UERJ inclui atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Coordeno o Núcleo de Estudos Filosóficos da Infância.
Atualmente, estamos iniciando um projeto de formação
permanente de professores da rede escolar e temos um grupo de pesquisa
composto por umas quinze pessoas entre estudantes e bolsistas de
graduação e pós-graduação.
Também forma parte deste grupo uma aluna do ensino médio
de Colégio de Aplicação da UERJ. Por outro
lado, sou pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) com
um projeto integrado denominado “Filosofia para crianças:
análise crítica de uma área emergente”.
Um dos desdobramentos deste projeto é um banco de dados sobre
ensino de filosofia, situado em www.bibliofil.rg3.net Este banco
de dados contém mais de 2000 entradas sobre o ensino de filosofia
em seus diversos níveis. Ademais, organizamos eventos, publicações
e diversas atividades nas interfaces entre filosofia e educação:
www.filoeduc.org E estou também como co-editor da revista
childhood & philosophy, uma publicação do Conselho
Internacional para a Investigação filosófica
com crianças (www.filoeduc.org/childphilo), que acolhe trabalhos
em seis línguas, dentre elas castelhano e português.
CREARMUNDOS Como filosofia e educação apareceram e
foram sendo relacionadas por você e por pessoas e instituições
de seu entorno?
Walter Kohan: Pienso que de una manera general,
las relaciones entre filosofía y educación suelen
tener un carácter fuertemente teórico y abstracto.
Los filósofos acostumbran pensar que la filosofía
es un pensamiento que está por encima de los otros saberes,
que ella totaliza, sintetiza, unifica lo que los otros producen
y mucha gente que trabaja en educación suele acudir a la
filosofía como alguien que se está ahogando y comienza
a dar manotazos: “por favor, un poco de fundamentos, otro
poco de sentidos, algo más de valores”.
Estas imágenes, que describo en forma de caricatura, son
bastante comunes y, a mi modesto entender, no dan mucho margen para
un modo de relación más interesante. En mi caso, y
en el de la gente que trabaja conmigo, tratamos de que la filosofía
y la educación no sean pensadas con una relación tan
externa, tan fija, tan jerarquizada... pienso que la filosofía
es una dimensión del pensamiento, una posibilidad de la experiencia
y lo que tratamos de hacer es explorar esa posibilidad situados
como estamos en instituciones educativas: la pregunta principal
que mueve nuestra práctica tiene que ver con pensar justamente
el sentido de hacer filosofía en los días actuales
y también con abrir espacios para que ese ejercicio de pensamiento
esté siempre abierto a diferentes oportunidades.
CREARMUNDOS E qual seria o sentido de fazer filosofia hoje em
dia?
Walter Kohan: Bueno, los sentidos son siempre
plurales, móviles, abiertos... sin embargo, recuerdo que
en sus últimos trabajos M. Foucault enfatizó de diversas
maneras que la pregunta tal vez principal de la filosofía
es “¿qué somos?”. Esta pregunta que en
principio es ontológica rápidamente se torna política:
es importante problematizar lo que somos para poder recusarlo y
ser de otro modo... de manera que el sentido principal de hacernos
esta pregunta filosóficamente sería una transformación
política de nosotros mismos.
Me resulta muy simpática esta idea – no tanto en el
sentido de divertida sino en el de un sentimiento compartido -,
porque abre un mundo para el hacer filosofía con otros y
le da un sentido político bastante preciso y al mismo tiempo
abierto, no anticipado y cambiante a un proyecto educacional que
considere importante el hacer filosofía.
CREARMUNDOS Pensando em todos os projetos, linhas de pesquisa, livros,
instituições que você conhece, você não
estaria de acordo com que tipo de relação entre filosofia
e educação? Por quê?
Walter Kohan: Esta pregunta está muy relacionada
con una de las anteriores y es bastante delicada porque tiene que
ver con lo que hacen los otros y posicionarse frente a eso. No me
interesa mucho eso de juzgar lo que los otros hacen. La filosofía
es algo plural y ella puede ser entendida de modos muy diferentes
y con sentidos bastantes distintos. Al fin, muchos pueden hacer
lo que mencioné al comienzo de la pregunta anterior con mucha
elegancia, potencia y gracia: ¿qué podría objetar
contra eso? ¡Nada!
Es cierto que en tanto trabajadores de instituciones públicas
tenemos un compromiso con lo público y un trabajo común
a realizar, pero este carácter público y común
de nuestro trabajo en modo alguno necesita de una normatividad que
deba ser compartida. De modo que es difícil para mí
decir con “qué tipo de relación entre filosofía
y educación” no estaría de acuerdo.
Pero voy a intentar responder propositivamente de algún modo.
Pienso que esa reunión entre filosofía y educación
afirma y promueve, en cualquier caso, una cierta política
del pensamiento; esto significa que, cuando se junta la filosofía
con la educación, se afirman ciertas fuerzas y potencias
del pensar. Yo apuesto a fuerzas que abran el pensar, que lo amplíen,
que lo liberen, que lo fortalezcan, que lo lleven a pensar lo que
hasta entonces no había podido pensar. No me agradan los
movimientos que lo lleven en dirección contraria.
CREARMUNDOS Seguindo na linha “propositiva”, você
poderia dar exemplos do que você está chamando de “fuerzas
que abran el pensar, que lo amplíen, que lo liberen...”
?
Walter Kohan: Sí, claro, es algo permanente,
cada vez que una persona cualquier, no importa su edad, percibe
que las cosas pueden ser de una manera diferente a como pensaba
que deberían ser, cuando nota que todo bien podría
ser de otra manera, eso abre el pensar, lo libera, alguien pensaba
que sólo un mundo era posible y de golpe nota que hay una
infinidad de mundos posibles donde sólo había una
posibilidad. Esto los chicos lo muestran permanentemente... y los
docentes también... siempre me acuerdo de una maestra en
Brasília, Luisa, que en una reunión del proyecto que
existe allá entra la universidad y algunas escuelas públicas
dijo algo así como que el proyecto la llevaba a pensar sobre
la vida, sus ideas, conceptos, le provocaba dudas y preguntas sobre
ella misma, sobre sus actitudes y prácticas como educadora
y lo que quedaba, ella decía, es la imposibilidad de seguir
siendo lo que se era.
Esta frase, dicha por una maestra de chicos pequeños en una
reunión cualquiera de nuestro trabajo me dejó muy
marcado porque precisamente muestra uno de los sentidos a los que
aludía anteriormente: la filosofía es una fuerza que
potencia el pensamiento y transforma así lo que somos, sin
anticipar los caminos de esa transformación.
CREARMUNDOS Quais são os principais referentes teóricos
e práticos que ajudaram na escolha e decisão de suas
opções profissionais no que se refere a filosofia
e educação?
Walter Kohan: Para responder uma pergunta como
essa temos que fazer um largo percurso pela nossa formação,
e isso supõe também pessoas que não lembramos,
que deixaram marcas diversas. (Sem querer passei para o português
e vou deixar dessa forma, pode querer dizer algo interessante)
Eu me lembro de um professor muito forte que teve no início
de minha formação em filosofia, em Buenos Aires, Conrado
Eggers Lan, que fazia as coisas sobre tudo com muita paixão.
Era um professor de filosofia grega que amava a filosofia, no seu
caso específico, amava a Platão e conseguia que nos
interessássemos por coisas que de não ser por ele
dificilmente atenderíamos. Ele não tinha qualquer
virtude “didática”, a não ser essa grande
paixão e era suficiente para encantar muita gente. Antes
de ontem estava lendo um artigo de Virginia Kastrup onde ela afirma
que o professor deve ser uma espécie de “atrator”,
alguém que atrai o aluno e o leva a perceber signos que ele
não tinha percebido. Gosto muito dessa imagem: os professores
mais interessantes são muito atratores, eles atraem os alunos
não necessariamente para si, mas para o que necessita atender
alguém que aprende: signos. Desta forma, educar é
ajudar a aumentar o campo de percepção dos outros.
Outro professor muito interessante na minha formação
foi Matthew Lipman.
Quando conheci a proposta dele, isso me fez pensar e reconsiderar
radicalmente minha concepção de filosofia e de educação
e da relação entre elas. Muito embora gradativamente
comecei a perceber problemas no seu programa e particularmente na
forma em que ele costuma ser “aplicado”, Lipman mostra
como perde a filosofia se fica de fora sua dimensão de vivência,
de experiência, de modo de vida. Ele também me deu
um sentido muito concreto para o que faço e para eventuais
desdobramentos desse trabalho, primeiro com crianças, e depois
com pessoas de qualquer idade. No que se refere ao marco teórico
para pensar a relação entre educação
e filosofia, nos últimos anos tenho buscado interlocutores
na filosofia francesa contemporânea, tais como M. Foucault,
G. Deleuze e J. Ranciére. Como você pode notar, estes
autores não são, pelo menos não em sentido
estrito ou clássico, “filósofos da educação”.
São simplesmente filósofos. É que, afinal,
a filosofia não se torna muito diferente em função
daquilo pelo qual se interessa.
CREARMUNDOS Sua resposta nos deixa pensando em algumas coisas
e aparecem duas perguntas mais:
- a primeira tem a ver com: quais são as idéias
de Foucault, Deleuze e Ranciére que você conecta com
educação? Evidentemente não te pedimos para
que nos expliques a tese inteira, mas sim que nos deixes alguns
sinais, pistas para compreender melhor seu posicionamento.
Walter Kohan: Bueno, no sé bien por donde
empezar, son tantas cosas... Rancière ha escrito un libro
intrigante de filosofía de la educación, El maestro
ignorante (en castellano: Barcelona: Laertes, 2004; en portugués:
Belo Horizonte: Autêntica, 2003), un ejercicio que pone en
cuestión toda la pedagogía de la explicación
y de la transmisión y que ayuda a pensar cuestiones decisivas
como la ignorancia, la igualdad, la emancipación. El maestro
ignorante es uno de esos libros que después de leer es muy
difícil continuar pensando lo que se pensaba sobre enseñar
y aprender. Pero Rancière también trabaja en otros
libros ideas interesantes para pensar cuestiones educacionales,
entre otras, la relación entre filosofía y política
y el valor fundante de la igualdad. Foucault es para mí uno
de esos filósofos ejemplares, enorme, que afirman no sólo
un pensamiento sino un modo de vida de extrema fortaleza y vitalidad.
Foucault es uno de esos filósofos que enaltecen la tarea,
a los que uno ve y dice “con gente así vale la pena
seguir apostando a la filosofía”, es como un irradiador
de energía para los que sentimos algún tipo de vínculo
con la filosofía; más temáticamente, sus aportes
para pensar la subjetividad y más ampliamente las relaciones
entre saber, poder y sujeto son, todavía, cruciales y materia
para permanentes investigaciones. Por su parte, pienso que Deleuze
es una fuerza de pensamiento increíble, alguien que te ayuda
a notar cuánto más convencional eres de lo que te
gustaría, cuánto ausencia de pensamiento hay, incluso,
en los que se apropian de la palabra “pensar”.
Deleuze afirma también un estilo poderoso, por la imagen
creativa de la filosofía que despliega, por su relación
esencial con la no filosofía y las implicaciones políticas
de su pensamiento. Deleuze se ha ocupado con cierto cuidado de cuestiones
educacionales - como el aprender, basta pensar en Proust y los signos
-, pero lo que me has me atrae de él no es el modo concreto
en que piensa estas cuestiones, sino otros conceptos, en principio
de otro campo, que nos ayudarían a pensar en el interior
del campo educacional.
- a segunda tem a ver com a afirmaçao final da sua frase:
“a filosofia não se torna muito diferente em funçao
daquilo pelo qual se interessa”. Você poderia desenvolver
mais esse argumento?
Walter Kohan: O que eu quero dizer com isso é
que a filosofia da educação é, antes de qualquer
outra coisa, filosofia... neste sentido ela parece muito mais com,
por exemplo, a filosofia da música, da religião ou
de qualquer outra coisa do que com a administração
da educação ou qualquer outra coisa “da educação”...
(outra vez, o português!)... volto ao castelhano... no sé
si soy claro, la filosofía es una actividad del pensamiento,
una, puede interesarse o trabajar en diversos sentidos o contextos,
pero si es filosofía la actividad es la misma, no cambia
porque se trate de educación, lo que cambia son las formas,
los impactos de la actividad ...
CREARMUNDOS Quais são as suas propostas práticas
para que filosofia e educação se relacionem de maneira
frutífera?
Walter Kohan: La pregunta es un poco tramposa,
porque entiendo a la filosofía como una práctica del
pensamiento. No me gusta mucho esa dualidad entre teoría
y práctica, cuando se pone a la filosofía del lado
de la teoría. Como afirma Foucault, la filosofía es
crítica y la crítica es un trabajo práctico
de pensamiento sobre nosotros mismos. Cuando estamos dentro de la
filosofía, estamos dentro de ese movimiento del pensar que
nos permite percibir lo que somos, recusar lo que somos y pensar
otros modos de ser. Pero este movimiento no es teórico sino
que es práctico, es, digamos, performativo. Desde el momento
en que problematizamos lo que somos ya no somos más de la
misma manera. Estamos siempre sendo otros. Esto es lo que me encanta
de la filosofía y sus posibilidades formativas y aquello
en lo que concentro mi trabajo, no importa la edad de los interlocutores:
disponerles un dispositivo (la filosofía) que les servirá
para pensarse a sí mismos y, eventualmente, ser de otra manera
de lo que son. Esto pienso que es el sentido principal de mi trabajo
en la “formación de profesores”, como se dice
habitualmente.
CREARMUNDOS Você gostaria de deixar alguma mensagem especial
para os leitores?
Walter Kohan: Que me ayuden a pensar por qué
he estado cambiando de lengua en esta entrevista. Y qué ojalá
las breves líneas que hemos compartido los y las ayuden a
entender la lengua en la que hablan y a pensar en qué otras
lenguas podrían hablar. Y en este punto, claro, ya no necesitamos
entender “lengua” demasiado literalmente. Muchas gracias.
Walter Kohan, Río de Janeiro, 17 de marzo de 2005
CREARMUNDOS agradece a colaboraçao do professor Walter,
que com sua habitual energia alegre e produtiva, nos ofereceu idéias
interessantes e provocadoras. Como na foto, ele manteve uma atitude
de quem indica possibilidades e nos sinalizou várias idéias
prá seguir pensando...
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